domingo, 2 de fevereiro de 2025
segunda-feira, 2 de outubro de 2023
Resenha Crítica - Como as democracias morrem
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| LICENÇA: Editora Zahar |
Lançado em 2018 nos Estados Unidos e traduzido para o
português, no Brasil, ainda no mesmo ano, pela editora Zahar, o livro Como as
democracias morrem, de Steven Levitsky e Daniel Ziblatt, é certamente um caso
de best-seller imediato. Embora bastante recente, o livro já recebeu mais de
cem citações da sua versão brasileira e quase oitocentas da sua versão
original1 e segue suscitando debates e recebendo elogios ao redor do mundo,
impulsionado por um Zeitgeist mundial em que a democracia enfrenta visíveis processos
de erosão e ruptura.
O livro busca mostrar como a democracia pode e é
frequentemente subvertida por dentro, pelas mãos de líderes e atores de
tendência autoritária que, navegando através de suas mesmas instituições e
poderes, terminam por transformá-la em um regime distinto e autocrático, sem
necessariamente precisar utilizar das forças armadas ou de um golpe de Estado
clássico. Segundo os autores, a morte da democracia atualmente viria
principalmente através de medidas anunciadas com nobres intenções, tais como
combate à corrupção ou segurança nacional, e coberta de vernizes democráticos,
frequentemente avalizadas por instituições como Parlamentos ou Cortes de Justiça.
A subversão democrática na maioria das vezes se daria através de medidas graduais e se iniciaria, na verdade, já através de medidas simbólicas e discursos polarizadores que buscam construir a ideia de ilegitimidade dos opositores. E prossegue através da captura ou neutralização de instituições de controle, tais como Procuradorias, Cortes de Justiça ou Tribunais de Contas, removendo seus membros mais independentes e/ou preenchendo-as com lealistas fanáticos, tanto para diminuir os riscos e limitações que tais instituições representariam aos objetivos do autocrata, quanto pelo potencial que representam na coerção dos adversários, que passam a enfrentar um campo de atuação cada vez mais desnivelado.
E, apesar de as
tendências autoritárias de líderes autocráticos serem frequentemente
reconhecíveis e por vezes mesmo explicitamente anunciadas, desde muito antes de
suas chegadas ao poder, tais líderes acabam sendo "normalizados" por
parte de elites políticas que neles enxergam a possibilidade de se livrar de
adversários incômodos. Minimizando os riscos ao próprio regime democrático,
aproveitam-se de maneira interessada dos abusos contra seus adversários e
terminam na maioria das vezes engolidos pelo avançar do processo.
O livro consta de nove capítulos e uma introdução bem
encadeados entre si, nos quais os autores alternam entre a apresentação de suas
teses ilustradas com casos ao redor do mundo, em distintos tempos, e capítulos
onde as aplicam a episódios da história estadunidense. Assim é que, após
resumir as teses do livro na Introdução, Levitsky e Ziblatt descrevem no
Capítulo 1 os processos de chegada ao poder de outsiders autoritários em
alianças com atores da elite política que pensavam instrumentalizá-los e se
veem por eles engolidos.
Já no Capítulo 2, focam em episódios semelhantes da história
política dos EUA em que, no entanto, tais outsiders se viram barrados antes da
presidência pelo papel de guardiões democráticos que atribuem aos partidos
políticos e suas elites; e, no Capítulo 3, prosseguem com a análise das
mudanças introduzidas no sistema de primárias dos partidos do país e que as
teriam tornado potencialmente mais porosas à passagem de líderes dessa
natureza, sendo Trump uma espécie de culminação do processo.
Nos Capítulos 4 e 5, por sua vez, retornam às ideias mais
gerais acerca da morte democrática, descrevendo em detalhes, no quarto
capítulo, os processos internos de tomada gradual de poder pelos autocratas
eleitos através da cooptação das instituições de controle e da perseguição e
afastamento dos principais adversários; e, no quinto, desenvolvem sua tese
principal. Para os autores, além de boas constituições e instituições
eficientes, a democracia para funcionar necessitaria do que eles chamam de
regras não escritas que a protejam.
Uma cultura política de tolerância mútua entre os
adversários e o que eles chamam de reserva institucional (forbearance), ou
seja, o "ato de evitar ações que, embora respeitem a letra da lei, violam
claramente o seu espírito" (p. 107) constituiriam as grades de proteção
necessárias à sobrevivência da democracia. Sua ausência implica polarizações excessivas,
transformando adversários em inimigos essenciais e a competição democrática em
um confronto sem meios-termos possíveis em que predominaria o oposto da
reserva, chamada por eles de jogo duro constitucional (constitutional
hardball), cujo resultado último não pode ser outro que a aniquilação da
própria democracia.
Nos três capítulos seguintes, Levitsky e Ziblatt voltam
novamente suas atenções ao caso estadunidense, descrevendo no Capítulo 6 as
origens e o desenvolvimento das grades de proteção nos EUA, bem como momentos
em que tais grades foram ameaçadas ou mesmo ruíram, como durante a Guerra
Civil, e seu processo de reconstrução após o fim da ocupação dos estados
derrotados do Sul e que teriam então resistido firmemente pelo menos até os
anos 1980. Os autores, no entanto, admitem, ao fim do capítulo, que devem
"concluir com uma advertência perturbadora". As normas que sustentam nosso
sistema político repousavam, num grau considerável, em exclusão racial.
A estabilidade do período entre o final da Reconstrução e os
anos 1980 estava enraizada num pecado original: o Compromisso de 1877 e suas
consequências, que permitiram a desdemocratização do Sul e a consolidação das
leis de Jim Crow. A exclusão racial contribuiu diretamente para a civilidade e
a cooperação partidárias que passaram a caracterizar a política norte-americana
no século XX (p. 140). Após as políticas de inclusão dos anos 1960 que
desmantelaram a segregação racial sulista, o país teria finalmente se
democratizado plenamente, mas a polarização política e as ameaças às grades de
proteção voltaram a crescer cada vez mais.
No Capítulo 7, então, passam a descrever com exemplos
concretos o abandono cada vez maior das regras não escritas sobretudo por parte
do Partido Republicano, que passa a se enraizar cada vez mais nos conservadores
estados do Sul, incrementando significativamente a polarização. Anteriormente,
a heterogeneidade constitutiva dos partidos políticos estadunidenses, com
democratas conservadores no Sul racista, mas progressistas no Norte liberal, e
republicanos conservadores no Norte, mas progressistas no Sul, conferia certo
equilíbrio e proteção ao sistema, segundo sua interpretação.
Por fim, no Capítulo 8, os autores se concentram em
descrever as sucessivas violações de Donald Trump às grades de proteção do país
e as possíveis consequências nefastas que daí adviriam para o futuro
democrático estadunidense.
Levitsky e Ziblatt concluem o livro no Capítulo 9, "Salvando a Democracia", o qual iniciam admitindo mais uma vez que a excepcionalidade democrática dos EUA estivera ancorada na exclusão racial e que as tentativas de superá-la no século XX teriam trazido de volta a polarização e os ataques às grades de proteção que estariam ameaçando a democracia no país atualmente.
Tentando, talvez, passar um tom algo mais otimista, voltam-se em
seguida a listar alguns países ao redor do mundo em que a democracia estaria
sendo aumentada ou pelo menos ainda plenamente preservada, e que seriam,
segundo eles, ainda a "vasta maioria", embora a lista apresentada
pareça duvidosa ao incluir o Brasil entre os países em que a democracia ainda
"permanece intacta" (p. 195).
Mesmo que o livro tenha sido publicado em 2018 e, portanto, os autores não tenham podido considerar os efeitos trazidos pela presidência do claramente autocrático (pelos critérios do livro) Jair Bolsonaro, é imperdoável para pesquisadores do quilate dos dois autores considerar que o impeachment de Dilma Rousseff, em 2016, o qual se utilizou eminentemente das táticas de jogo duro constitucional por eles apontada no Capítulo 5, não tenha sequer arranhado nossa democracia.
Levitsky e Ziblatt, então, passam a conjecturar três
possíveis cenários para os EUA pós-Trump: um cenário otimista e considerado
improvável, em que os esforços autoritários do presidente são plenamente
derrotados e restaura-se a democracia com todas as suas grades de proteção e
respeito às regras não escritas; um outro cenário pessimista, considerado por
eles como possível, mas ainda não tão provável em que Trump triunfa plenamente
e mata de vez o que resta de democracia no país; e uma terceira possibilidade,
que consideram a mais provável no futuro imediato, em que a democracia dos EUA
passa a viver sem as regras de contenção e com efeitos perigosos e
imprevisíveis no longo prazo.
Os autores terminam o capítulo e o livro tentando apontar
caminhos para a restauração democrática e insistem na reconstrução da
tolerância mútua e na reserva institucional como parte fundamental,
apresentando como casos de sucesso a reconstrução da direita alemã no
pós-Guerra e a ampla coalizão chilena da Concertação que teria permitido o
regresso do país à democracia após a ditadura pinochetista.
Como visto, embora traga de fato exemplos concretos de atores e processos que minaram a democracia por dentro em várias épocas e lugares distintos – da Alemanha nazista ao Peru de Fujimori, passando pela Venezuela chavista, as Filipinas de Marcos, e a contemporânea Hungria de Orbán, entre alguns outros casos – e tenha um título "genérico" sobre a morte democrática, levando a crer tratar-se de uma obra de foco teórico geral, o livro é, na verdade, fundamentalmente uma análise do caso estadunidense sob a presidência de Donald Trump.
Embora isso possa vir a frustrar em alguma medida alguns leitores que eventualmente cheguem ao livro buscando uma abordagem mais "universal", não constitui exatamente um problema na medida em que um foco mais restrito, de fato, frequentemente permite uma análise mais aprofundada de qualquer fenômeno concreto.
Além disso,
se é correta a tese dos autores de que a democracia estadunidense se encontra
atualmente em perigo devido a processos iniciados nas últimas décadas e
exacerbados pela presidência Trump, tampouco se trataria de qualquer caso,
visto que os EUA representam para muitos, com ou sem razão e dentro ou fora dos
próprios EUA, uma representação simbólica da própria ideia de democracia e
exercem influência desproporcional ao redor do mundo.
O problema é que os autores parecem não levar às últimas
conclusões o alcance do argumento desenvolvido e uma análise aprofundada do
mesmo pareceria indicar um veredicto ainda mais pessimista acerca da
preservação da democracia no atual contexto mundial do que eles parecem
considerar. Se toda a grande pax democrática estadunidense esteve baseada, como
eles mesmos admitem, na exclusão racial e as grandes rupturas dessa
estabilidade vieram da adoção de políticas de inclusão, não seria um grande
wishful thinking a proposta de preservação democrática por meio de amplas
coalizões interpartidárias em que os atores voluntariamente freiam suas
iniciativas para não derrotar completamente a oposição?
O livro é repleto de metáforas esportivas, o que certamente
facilita sua leitura pelo público leigo e isso é extremamente positivo, mas será
mesmo possível salvar a democracia apenas pela adesão voluntária dos vencedores
à reserva institucional como numa partida de basquete de rua, como sugerem
Levitsky e Ziblatt?
Extrapolando os achados dos autores para outros países,
recorde-se que quando do início da redemocratização da América Latina, nos anos
1980, as perspectivas de sua consolidação aos olhos da Ciência Política eram
invariavelmente pessimistas devido a sua extrema desigualdade socioeconômica.
Quando a persistência democrática nos anos 1990-2000 colocou em questão tal
diagnóstico pessimista, autores como Kurt Weyland (2004) consideraram que a
ampla adesão ao neoliberalismo na região havia contribuído para essa
estabilidade por retirar da agenda política questões redistributivas que historicamente
tinham melindrado as elites da região e ensejado rupturas democráticas, embora
reconhecendo que isso, ao mesmo tempo, diminuíra a qualidade de nossas
democracias.
As décadas seguintes do novo milênio trouxeram a vários
países da região questionamentos a essa hegemonia neoliberal, com experimentos
redistributivos e intervencionistas em geral bastante moderados, mas que, mesmo
assim, propiciaram o retorno da polarização, e mesmo golpes de Estado manu
militari, como na Venezuela (2002) e Honduras (2009), ou interdições
parlamentares, como no Paraguai (2012) e Brasil (2016). Seria então realmente
possível imaginar a preservação democrática apenas pela autorrestrição dos
atores políticos em contextos em que há realmente grandes questões em jogo, em
que, se talvez não sejam plenamente de soma zero, é preciso que alguém perca
algo para que outros grupos possam superar sua situação de exclusão?
Voltando ao caso dos EUA, nas últimas páginas do livro, os
autores analisam – e rejeitam – sugestões de superação da polarização política
no país por meio do abandono, pelo Partido Democrata, dos interesses de
minorias e das políticas de identidade em geral em prol de "recapturar a
assim chamada classe trabalhadora branca" (p. 213), propondo em vez disso
a adoção de políticas sociais universalistas de combate às desigualdades
estruturais do país para fortalecer a democracia e gerar bases para coalizões
interpartidárias que restaurassem as grades de proteção. Mas o quão factível
seria realmente a proposta se ele dependesse, para sua execução, da anuência do
mesmo Partido Republicano cada vez mais sólido na defesa de interesses
econômicos das megaelites econômicas?
De fato, infelizmente, a proposta acaba soando mais como
utopia do que como concretude, sobretudo se lida à luz de relatos como os de
Wolfgang Streeck (2018) sobre o abandono progressivo pelo Grande Capital dos
compromissos democráticos que sustentaram a Era de Ouro do Estado do Bem-Estar
na Europa e que tanto contribuíram aos desgastes e desencantos cidadãos para
com a democracia, a partir de meados dos anos 1980.
Em suma, o livro de Levitsky e Ziblatt oferece uma narrativa
sucinta e em linguagem acessível acerca dos processos contemporâneos de erosão
democrática e constitui-se em leitura importante, no momento, tanto para
pesquisadores do tema quanto para o público em geral. Contudo as soluções
sugeridas parecem fundamentadas muito mais em um normativismo voluntarista do
que na análise plena dos desdobramentos das teorias e fatos relatados ao longo
do livro. É um bom ponto de partida para a discussão de como as democracias
morrem, mas, longe da palavra final, sobretudo de salvá-las se trata.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
LEVITSKY, Steven; ZIBLATT, Daniel. Como as democracias morrem. Rio de Janeiro: Zahar, 2018.
quinta-feira, 11 de maio de 2023
A Era dos Presidentes “Animadores de Torcida”
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| FOTO: Ricardo Amorim. REPRODUÇÃO: Instagram |
Texto do economista e analista político Ricardo Amorim (com adaptações e comentários):
Uma vez eleito, um presidente deveria governar para todos e
criar condições para que medidas importantes para que o país avance pudessem
ser aprovadas no Congresso.
Este presidente deveria unir os brasileiros em prol de um
projeto comum de país, onde todos rememos na mesma direção, e não uns remando a
favor e outros contra, dependendo de quem estiver no governo.
Nós, cidadãos, deveríamos conseguir desenvolver um conceito
de Estado, ao invés de governo e criar um projeto de país, assim como ter
clareza sobre o que é necessário para que esse projeto possa se tornar
realidade.
Mas o que tem acontecido nos dois últimos governos é
exatamente o contrário. Nós vivemos a era do Presidente animador de torcida,
que só fala para seus apoiadores. Isso gera enormes distorções.
A primeira distorção é um conflito permanente entre dois
lados absolutamente opostos, que não representam a maior parte do país. Isso
trava o avanço de reformas importantes e necessárias no Congresso Nacional,
porque o Presidente não dialoga mais com quem não pensa exatamente como ele.
Precisamos reverter essa ultrapolarização paralisante que
impede o Brasil de avançar. Toda a população brasileira paga a conta pela
postura que os últimos presidentes têm tido. Basta.
Mesmo depois de eleitos, Bolsonaro e Lula continuaram com discursos exclusivamente voltados para a sua base mais aguerrida de apoio. Com isso, fomentaram a polarização e dificultaram o avanço de medidas importantes para melhorias das condições do país. Nos dois casos, o que os Governos faziam ou fazem é muito diferente do que os Presidentes falam.
Especificamente no caso de Lula, como seus discursos tratam
de temas econômicos, ao contrário de Bolsonaro, os impactos negativos para a
economia são muito maiores. Está na hora dos Presidentes no Brasil voltarem a
governar e não apenas a animarem torcidas.
COMENTÁRIO:
Temos um presidente enforcado na própria arrogância pela
vitória eleitoral, que mantém o ímpeto de governar “sozinho”, aumentando a
instabilidade política. Do outro lado, vemos um antagonista amargurado que se
recusa a fazer uma oposição digna. Essas controversas e carismáticas figuras
focam unicamente em alimentar a claque fanática. No teatro das tesouras, nós
eleitores, acabamos por ser as marionetes.
quinta-feira, 3 de novembro de 2022
O Manifesto Liberal
Apresenta-se um caminho rumo à extinção do movimento liberal no Brasil devido ao fato de ter como líder maior um político manifestamente
antiliberal, em especial às liberdades individuais inerentes do Direito Negativo; com apreço a regimes autoritários e ditatoriais, além de apego a ideologias
fundamentalistas e teocráticas. Não bastando um partido que é “liberal” apenas no
nome.
E essa sucumbência, palavra de fato mais adequada, eclodiu
em diversas instituições atreladas à defesa do Liberalismo no Brasil, como o
Movimento Brasil Livre (MBL), o Partido NOVO (único partido registrado com diretriz liberal em seu estatuto), dentre outras lideranças de outras siglas, mas
que defendiam de forma contundente as ideias de liberdade. Que,
lamentavelmente, teve seu conceito deturpado e corrompido.
A essência do Liberalismo é o egoísmo, citado por Adam Smith
em A Riqueza das Nações: “Não é pela benevolência do açougueiro, do cervejeiro
ou do padeiro que nós contamos com o nosso jantar, mas pela consideração do seu
próprio interesse”. Em que pensando no nosso próprio bem-estar, é que
desenvolvemos atividades para gerar bem-estar nos outros, temos a motivação.
Todavia, o pensamento de Smith não pode ser considerado de
forma isolada, já que todos fomos beneficiados em momento anterior pelo egoísmo
de alguém, pelo afã de algum ganho financeiro. Ou seja, é necessário que a
pessoa que me compre também esteja bem, para assim o meu bem ser alcançado. Eis
que se edifica o conceito de coletividade e responsabilidade da liberdade dos
atos individuais.
Não há liberdade quando o indivíduo escolhe ou age segundo a
vontade alheia, ou segundo outros fatores externos. Também não há liberdade
quando o indivíduo escolhe ou age com ignorância. Adolfo Vasquez defendia que o
sujeito não ignore nem as circunstâncias nem as consequências da sua ação, ou
seja, que seu comportamento possua um caráter consciente, emergindo o conceito
de responsabilidade moral. A liberdade sempre teve alinhada com a
responsabilidade, e seu preço é a eterna vigilância, como dizia Thomas
Jefferson.
Dito isto, o manifesto liberal coloca alguns questionamentos
para a militância:
1) Como ser defensor da liberdade ao ter como baluarte e mentor uma figura que ignora completamente o conceito de coletividade, somando-se com uma total irresponsabilidade moral ao desprezar a dignidade da pessoa humana?
2) Como ser liberal e ajoelhar-se a um discurso
que ofende as liberdades individuais, encoraja atos de violência, usurpando
símbolos nacionais e uma cultura religiosa para edificar um projeto déspota de
Poder?
3) Vale a pena exaltar um representante que supostamente defende uma liberdade de expressão para atacar a reputação de alguém e a honra das instituições (olha o conservadorismo de faz-de-conta aí)?
4) Apoiar quem
sequer teve compromisso em reduzir o peso da máquina estatal? Há alguma “pitada”
de Liberalismo em tais pautas levantadas pelo atual “ícone da direita brasileira”?
Se foi isso que ser liberal no Brasil significou ser bajulador de certo político "mítico", então resta aos liberais dissidentes uma contundente ida para o centro, renunciando ao rótulo de “liberais”, aceitando a nada inglória alcunha de “sociais-democratas”. Há de se lamentar profundamente o que o "Liberalismo Tupiniquim" se tornou.
É necessário abolir este pensamento nefasto alinhado com o fascismo do Século XX, assim como também não se aproximar demais da esquerda autoritária que sempre mitigou as liberdades do indivíduo e que faz ode a ditaduras mundo afora. Afinal, não se pode olvidar do paradoxo de Karl Popper, que consiste em uma sociedade tolerante deve ser intolerante à intolerância, pois tolerância ilimitada pode significar o fim da tolerância.
Liberais do Brasil e do Mundo, uni-vos!
sábado, 9 de abril de 2022
O legado de Dallari
Em “Elementos de Teoria Geral do Estado”, o jurista de Serra
Negra define o conceito de Estado adotado por praticamente toda a comunidade jurídica,
que é a ordem jurídica soberana (governo estabelecido), que tem por fim o bem
comum de um povo situado em determinado território.
Falando-se em território, seu conceito ganha importância na Idade
Média, já que, pela natureza da Cidade-Estado na antiguidade e da relação entre
o poder público e os particulares, não chegou a surgir a necessidade de uma
clara definição territorial. Dallari explica que com a multiplicação dos
conflitos entre ordens e autoridades, tornou -se indispensável essa definição, e
ela foi conseguida através de duas noções: a de soberania, que indicava o poder
mais alto, e a de território, que indicava onde esse poder seria efetivamente o
mais alto.
Em linhas mais retas, deveria existir um ente que mandava e
um grupo que obedeceria, e que tais regras funcionariam em determinado lugar,
onde comandantes e comandados estivessem estabelecidos. A partir dessas
concepções, surgem teorias que relacionam o Estado com seu território,
fundamentadas por Dallari:
a) Território-patrimônio: característica do Estado Medieval
e com alguns reflexos em teorias modernas. Essa teoria não faz diferenciação
entre o imperium e dominium, concebendo o poder do Estado sobre o território
exatamente como o direito de qualquer proprietário sobre o imóvel.
b) Território-objeto: que é a que concebe o território como
objeto de um direito real de caráter público. Embora com certas peculiaridades,
a relação do Estado com seu território é sempre e tão só uma relação de
domínio.
c) Território-espaço: teoria segundo a qual o território é a
extensão espacial da soberania do Estado. A base dessa concepção é a ideia de
que o Estado tem um direito de caráter pessoal, implícito na ideia de imperium.
Alguns adeptos dessa orientação chegam a considerar o território como parte da
personalidade jurídica do Estado, propondo mesmo a expressão
território-sujeito.
d) Território-competência: teoria defendida sobretudo por
KELSEN, que considera o território o âmbito de validade da ordem jurídica do
Estado.
Citado o governo, que seria a ordem jurídica soberana dentro
de determinado território, também conceituado, um terceiro elemento apontado
como requisito para que se possa reconhecer o Estado é o povo. E sobre este
conceito, Dallari destaca-se por ser bem direto, aduzindo que o povo significa o
conjunto de cidadãos de determinado Estado.
Para Dallari, o indivíduo, que no momento mesmo de seu nascimento
atende aos requisitos fixados pelo Estado para considerar-se integrado nele, é,
desde logo, cidadão. O Estado pode estabelecer determinadas condições
objetivas, cujo atendimento é pressuposto para que o cidadão adquira o direito
de participar da formação da vontade do Estado e do exercício da soberania. O
que faz diferenciar povo de população, que por sua vez, seria apenas o conjunto
de habitantes em determinado território, não necessariamente cidadãos. Pois é fundamental
esta ligação que há entre a soberania e
o conceito de povo.
Os três fatores enumerados para a formação do Estado resultaram
mais como aspiração do que como realidade efetivamente, gerando a necessidade
de uma ordem, germinando o conceito de Estado Moderno, já lembrado por
Maquiavel que dizia: “Todos os Estados que existem e já existiram são e foram sempre
repúblicas ou principados”.
No Século XXI, já consagrado no mundo jurídico, Dallari
publica "O Futuro do Estado", em que trata do conceito de Estado Mundial, do
mundo sem Estados, dos chamados Superestados e dos múltiplos Estados do Bem-estar,
explicando o que seria o futuro imediato provável, em que os dados e o
alcance das predições, os sistemas políticos do mundo contemporâneo, tendências
afetariam o estado contemporâneo, os futuríveis do estado.
Sobre o Estado Mundial, diversas foram as tentativas de sua
criação, por exemplo, o Império Romano, a França de Napoleão Bonaparte e a
Alemanha Nazi de Adolf Hitler. Dallari conceitua o ideário imperialista: “os
grandes Impérios da antiguidade nunca deixaram de ser a expressão de uma relação
de domínio de um povo sobre outros, não se chegando a procurar a integração
jurídica e política dos povos dominados”.
Modernamente, a ideia de um Estado Mundial ganhou força no
mundo jurídico e político a partir da Segunda Guerra Mundial. Considerou-se que
a ação dos Estados precisava ser controlada por um poder superior, que
limitasse o uso arbitrário da força. Dentro deste contexto surgiu a Organização
das Nações Unidas, que muitos chegaram a afirmar ser o fundamento do Estado Mundial.
A própria orientação dos Estados pertencentes à ONU revelou a falsidade desta
teoria, segundo Dallari, pela própria Carta das Nações Unidas, que em seu art. 78,
diz que “o sistema de tutela não será aplicado a territórios que se tenham
tornado Membros das Nações Unidas, cujas relações mútuas deverão basear-se no
respeito ao princípio da igualdade soberana”.
Em relação ao “Mundo sem Estados”, é necessário citar o
conceito de anarquismo como filosofia política, que surge em um momento histórico
propício, na primeira metade do século XIX, no qual se verificava uma divisão
de classes muito clara, com uma burguesia trabalhando para a manutenção da
ordem existente de maneira a preservar os fatores de desequilíbrio. Nesse
contexto aparecem uma forte oposição ao Estado e uma proposta de ação
organizada para destrui-lo.
Conforme DALLARI, a forma de oposição ao Estado não era
uniforme dentro do movimento proletário, havendo basicamente duas correntes que
se propunham a combatê-lo: a primeira negava qualquer possibilidade de transigência
para com o Estado, exigindo uma luta direta e constante contra ele. Dentre os
principais adeptos desta posição estavam Bakunin, Kropotkin e Sorel. Na outra
ponta estavam os que consideravam impossível a imediata eliminação do Estado, propondo
um processo longo para a efetivação deste objetivo. Neste contexto surgiu o
Manifesto Comunista (1848) de Karl MARX e Friedrich ENGELS.
Sobre Superestados, Dallari difundiu que a ideia de Blocos
Políticos foi desenvolvida após a Primeira Guerra Mundial, quando se acreditou que
uma distribuição lógica das forças, mediante a composição de alguns superestados
nivelados em poderio e riqueza, asseguraria um equilíbrio estável, pois nenhum
teria condições para dominar os demais, nem teria a necessidade de promover
guerras de conquista. que es se agrupamento dos pequenos Estados deveria ser
feito através de alianças, preservando -se a soberania de cada um. Outros iam
além, propondo a constituição de grandes federações. Um exemplo bem prático é a
União Europeia (UE) e seu Parlamento Europeu. A extinta União Soviética (URSS)
pode ser considerada historicamente um exemplo de “superestado”.
Para Dallari, é admissível que os Estados se agrupem
regionalmente com finalidades limitadas, sejam elas econômicas ou políticas, e
nas quais cada Estado possa preservar sua vontade soberana. Mas a constituição
de Superestados com organização federativa não encontra base na realidade para
ser considerada como futuro provável para o Estado.
Em linhas finais, o grande jurista deixa sua marca ao conceituar a origem do Estado e sua formação, seus elementos, assim como uma perspectiva de futuro do que o Estado poderia se tornar. Temas que foram de suma importância para a base acadêmica de todo jurista que milita no ramo doutrinário voltado para os estudos do Direito. Obrigado por tudo, grande mestre!
quarta-feira, 28 de julho de 2021
Origens do Contratualismo
CONTRATUALISMO
Para o contratualismo, o Estado surgiu a partir de um
contrato social firmado entre as pessoas: um grande pacto entre os homens, no
qual estes cedem parcela de sua liberdade e direitos em troca de proteção do
ente Estatal. Daí é que se legitima o Estado a definir regras sociais.
Antes do contrato social, os indivíduos vivam em estado de
natureza, e, somente após o advento dele, passaram a viver em sociedade.
Vejamos quem foram os principais filósofos contratualistas:
THOMAS HOBBES
Thomas Hobbes (1588-1679) defendeu a doutrina do direito
natural em sua obra “Leviatã”, de 1651.
Segundo Hobbes, no estado de natureza os seres humanos
dispõem de liberdade ilimitada e são guiados unicamente pelos desejos de
sobrevivência e satisfação pessoal, o que gera conflitos e guerras. É dele que
vem a máxima: “o homem é o lobo do homem”.
Dessa maneira, Hobbes se afasta da ideia de que o ser humano
é um animal político por natureza, tal qual sustentado por Aristóteles. De
acordo com Hobbes, o estado de natureza é hipotético, ou seja, ele nunca
existiu realmente.
Ora, apesar de “no estado de natureza” a liberdade ser
ilimitada, há solidão, escassez de recursos e medo constante. A solução para os
conflitos gerados pelo estado de natureza é negociar as liberdades individuais
através de um pacto social, que prevê algumas regras sociais.
Através da celebração do contrato, surge a “moral
contratualista”, que é relativa ao contrato, ou seja, depende dele. Assim, para
Hobbes, é de extrema importância que os indivíduos cumpram os acordos
racionalmente firmados por eles próprios.
A criação do Estado funda-se, portanto, no contrato social
firmado em razão do receio de violência de terceiros e do desejo de desfrutar
da vida e da posse de bens materiais tranquilamente.
JOHN LOCKE
John Locke (1633-1704) é considerado o “Pai do Liberalismo”.
Sua principal obra é o "Segundo tratado sobre o governo civil", de
1681.
O questionamento do direito divino dos reis e a defesa de
sistemas representativos como forma de governo foram lançados por Locke no
final do século XVII e extensivamente abraçados pela maioria dos pensadores
iluministas que se seguiram, como Voltaire.
John Locke era um defensor de que as regras políticas
estivessem alinhadas com as leis naturais do mundo. Nesse sentido, qualquer
poder estatal que não garantisse a vida dos cidadãos e o direito à propriedade
privada não seria legítimo. Fato inédito até então, Locke foi um dos primeiros
a defender abertamente o direito da população de depor o chefe de estado caso
este atente contra os direitos fundamentais.
Ao contrário de Hobbes, Locke não vê com pessimismo o estado
de natureza, ou um cenário onde "o homem seria o lobo do homem". Para
ele, há paz no estado de natureza e ela somente é rompida quando surge a
necessidade de um terceiro imparcial para decidir as lides sociais. Para Locke,
o homem “nascia como uma folha em branco”.
Além disso, Locke acredita que o estado de natureza teria
existido de fato, não sendo só uma idealização (como enxergava Hobbes). Há uma
lei da razão, chamada de lei natural que nos aconselha a aceitar as limitações
da liberdade para assegurar nossas vidas e propriedades.
Para Locke, a propriedade é um direito natural, em sentido
genérico. O termo propriedade (property) possui um significado específico: é o
conjunto de bens que asseguram os direitos fundamentais, ou seja, bens que são
a própria conservação e condução de uma vida confortável. Assim, a finalidade do Estado é a preservação
da propriedade contra-ataques internos e externos.
Seu viés liberal fica bastante exposto ao rejeitar qualquer soberania do Estado em trecho de sua obra: “Sendo todos os homens por natureza livres, iguais e independentes, ninguém poderá ser subtraído a esse estado e submetido ao poder político de outro, sem o seu consentimento”. (LOCKE, 1690, Cap. VIII, p. 95)
Como citado antes, Locke rechaça a ideia de submissão total
ao Estado, ao afirmar que o contrato social reserva os direitos à vida,
liberdade e propriedade. Para limitar o poder Estatal, então, a fim de que ele
não interfira no exercício dos direitos naturais, Locke propõe a divisão dos
poderes entre o Legislativo (Câmara dos Lordes e Câmara dos Comuns) e o
Executivo (Poder do Rei).
Posteriormente, Montesquieu, em “O Espírito das Leis”
aperfeiçoou esta teoria, formando o sistema tripartite que conhecemos hoje.
JEAN-JACQUES ROUSSEAU
Rousseau (1712-1778), em sua obra, compartilhou da concepção
naturalista, reconhecendo a existência de um estado de natureza.
Para ele, no estado de natureza, os seres humanos são
amorais e não distinguem o bom do mau, simplesmente vivendo em harmonia
naturalmente. O "bom selvagem", desta forma, vivia feliz, sem
trabalho e sem deveres, a não ser a procriação. Era um estado de igualdade
absoluta.
A igualdade só foi rompida quando surgiu o cultivo da terra
e, por consequência, a propriedade privada. Aquele que cercou o primeiro pedaço
de terra e chamou-o de "seu" instaurou a sociedade civil e, com isso,
a desigualdade entre os homens.
A desigualdade foi aprofundada com os avanços da técnica e
do conhecimento, pois começaram a surgir diferenças entre letrados e iletrados,
ricos e pobres, senhores e escravos. A existência do Estado sancionou as
desigualdades e suprimiu a liberdade.
É por isso que, para Rousseau, o contrato social não teria
sido um processo justo, já que muitos trocaram sua liberdade pela servidão. O
direito natural (a liberdade naturalista absoluta) estava, portanto, em
contradição com a existência do direito positivo.
Ele propõe então um pacto legítimo baseado na verdadeira
vontade geral, a qual deveria ser definida por todos em uma gigantesca
assembleia e obedecida voluntariamente por cada indivíduo, inclusive o
soberano.
Nota-se que o pensador aborda o contrato social tanto como a
fonte dos males sociais quanto um instrumento de realização da vontade geral,
contrapondo aquilo que é com aquilo que deveria ser. Rousseau não pressupõe um
retorno ao estado de natureza, mas uma forma de associação política que
assegure os ideais de liberdade e igualdade.
“Essa associação dos indivíduos, que passa a atuar soberanamente, sempre no interesse do todo que engloba o interesse de cada componente, tem uma vontade própria, que é a vontade geral. Esta não se confunde com uma simples soma das vontades individuais, mas é uma síntese delas. Cada indivíduo, como homem, pode ter uma vontade própria, contrária até à vontade geral que tem como cidadão. Por ser a síntese das vontades de todos, a vontade geral é sempre reta e tende constantemente à utilidade pública”. (DALLARI, 2008, p. 11)
Entretanto, adverte ROUSSEAU: "Há, às vezes, diferença
entre a vontade de todos e a vontade geral: esta atende só ao interesse comum enquanto
a outra olha o interesse privado e não é senão uma soma das vontades
particulares".
Tendo partido da afirmação da existência de uma liberdade
natural, que a sociedade visa proteger, não aniquilar, ROUSSEAU se refere
também à igualdade natural, dizendo que, longe de destruí-la, o pacto
fundamental procede a uma correção, suprindo as deficiências resultantes de
desigualdade física e fazendo com que os homens, podendo ser desiguais em força
ou engenho, se tomem iguais por convenção e de direito.
Por isso tudo ele próprio formula a conclusão de que, se
indagarmos em que consiste precisamente o maior bem de todos, que deve ser o
fim de toda legislação, encontraremos dois objetos principais: liberdade e
igualdade.
FONTES: Trilhante / Elementos de Teoria Geral do Estado, de
Dalmo Dallari / Locke e o Pensamento Liberal, por Rogério Tadeu Romano.
quinta-feira, 22 de julho de 2021
A Anatomia do Estado, por Murray Rothbard
O QUE O ESTADO NÃO É
Universalmente, o estado é considerado como uma instituição
de serviços sociais. Alguns ainda o chamam de divindade da civilização, embora
muito ineficiente. Contudo, muitos ainda o consideram como um meio necessário
para atingir objetivos específicos que a humanidade considera importante.
Com a “chegada” da Democracia, a identificação do Estado
passou a ser algo mais sentimental do que ético, mesmo que o Estado violasse os
princípios da razão ou senso comum, então, não foi algo muito atípico ouvir
coisas como: “Nós somos o governo”, ou “Nós somos o Estado”.
Porém, esse termo coletivo “nós” é uma camuflagem
ideológica. Se “nós somos o Estado”, então qualquer coisa antiética e imoral
que o estado fizer, nós o também fizemos. E se seguirmos essa linha de
raciocínio, os judeus não foram mortos, na verdade, ao contrário, eles
“cometeram suicídio”, uma vez que eles eram o governo. Devemos, portanto,
enfatizar que “nós” não somos o Estado.
Para falar a verdade, o Estado não nos representa e não
representa de forma concreta a maioria das pessoas. E mesmo que fosse representado
pela maioria, e ainda sim esta maioria decidisse algo contra a minoria, isso
ainda seria considerado antiético e nada voluntário por parte das outras
pessoas.
Mas se o Estado não é “nós” e muito menos uma “família” que
se reúne para conversar sobre problemas mútuos, o que ele é então? De forma
sucinta, o Estado é a organização social que visa manter o seu monopólio
através da coerção, isto é, do uso da força e da violência em uma determinada
área territorial; e é a única organização social que não utiliza do
voluntarismo, mas sim, da coerção.
Enquanto outros indivíduos ou instituições obtêm seu
rendimento através de produção de bens de modo pacífico e de venda voluntária,
o Estado obtém seus rendimentos através do uso da coerção, isto é, pelo uso da
ameaça e das armas. Depois disso, o estado passa a regular e ditar as ações de
seus súditos.
O QUE O ESTADO É
O ser humano nasce indefeso e, por virtude disso, necessita
usar sua mente para aprender como usar recursos, transformá-los em
investimentos ou objetos e locais de que modo possam lhe satisfazer. E a única
forma para o ser humano fazer isso é o uso da mente e da energia para
transformar os recursos. Após isso, estes recursos poderiam ser trocados por
outros, que eventualmente também foram criados.
O ser humano descobriu que, através da troca mútua e
voluntária (comércio) existia uma produtividade, e através dela o padrão de
vida de todos os participantes dessa troca poderia aumentar significativamente.
Portanto, o caminho significativo e natural para a
sobrevivência da espécie e sua prosperidade é utilizando sua mente e energia
para se envolver em um processo de produção e troca. A realização disso,
primeiramente, encontrando recursos naturais, e após isso ele junta seu
trabalho com tal e o transforma em sua propriedade individual, e então, a troca
com a propriedade individual de outras pessoas, que fora produzida de forma
semelhante.
Portanto, o caminho de prosperidade social e econômica, como
dita a natureza humana, é a de direitos de propriedade e do livre mercado ou
trocas de tais direitos. E de acordo com o tempo, o ser humano também aprendeu
a evitar métodos antiéticos pela luta de recursos escassos, isto é, A poderia
adquiri-los á custa de B, e, ao invés disso, aprendeu a multiplicar imensamente
esses recursos por meio do processo harmonioso e pacífico de produção e troca.
Existem duas formas exclusivas de adquirir riqueza, segundo
o sociólogo Franz Oppenheimer, as quais são a de produção e troca, o qual ele
chama de “meio econômico”. A outra forma é que não requer produtividade; é a
forma onde se confisca os bens e serviços do outro através do uso da força e
violência, o qual ele denominou de “meio político” de aquisição de riqueza.
Está claro então que o meio político é coercivo, explorador e contrário à lei
natural, ora que é parasítico, pois em vez de adicionar, apenas subtrai.
O meio político desvia a produção para um indivíduo ou grupo
de indivíduos que são parasitas e destrutivos em ato ou potencial. E este
desvio não só subtrai da quantidade que fora produzida, mas como também reduz o
incentivo do produtor para produzir além de seu consumo próprio. O Estado então
nada mais é do que a organização dos meios políticos e a sistematização do
processo predatório sobre determinado território.
COMO O ESTADO SURGIU?
Sabendo então que a produção é predecessora a qualquer
parasitagem, concluímos então que o livre mercado é anterior ao estado, isto é,
não existirá estado e livre mercado simultaneamente. O Estado nunca fora criado
por um “contrato social”, como alguns teóricos balbuciam, mas sim, da conquista
e da exploração.
Um paradigma clássico é o da tribo conquistadora, os quais
resolveram dar uma pausa no seu método de pilhagem e assassinato das tribos
conquistadas ao perceber que a duração do saque seria mais longa e segura, e
claro, uma situação mais agradável, se ela permitisse que a tribo conquistada
continuasse vivendo e produzindo, contudo, os conquistadores deveriam receber
uma taxa constante dessa produção, isto é, um tributo.
Um dos métodos de nascimento de um estado pode ser ilustrado
como se segue: nas colinas da “Ruritânia do Sul”, um grupo de bandidos
organiza-se de modo a obter o controle físico de um determinado território.
Cumprida a missão, o chefe dos bandidos autoproclama-se “Rei do estado soberano
e independente da Ruritânia do Sul”. E se ele e os seus homens tiverem a força
para manter este domínio durante o tempo suficiente, pasmem! Um novo estado
acabou de se juntar à “família das nações”, e aqueles que antes eram meros
líderes de bandidos acabaram se transformando na nobreza legítima do reino.
COMO O ESTADO SE ETERNIZA
Uma vez que o Estado se estabelece, o problema desse grupo é
como manter seu domínio. Mesmo que o modus operandi do Estado seja a força e a
violência, o problema básico para ele ser eterno é o seu projeto ideológico.
Para um governo se manter ele tem de ter a maioria de aprovação de seus
súditos. Após se instalar, ele precisará de ainda mais súditos e apoiadores, e
um dos métodos para assegurar isso é a criação de leis ou interesses econômicos.
Como sabemos, o rei não consegue governar sozinho, e isso
implica que um grupo considerável de seguidores também desfrutem dos
privilégios de domínio, e mesmo com a compra de possíveis votos, essa aceitação
em demasia ainda não acontece. E para produzir essa aceitação, a maioria tem de
ser persuadida por uma ideologia de que o seu governo é bom e sábio e,
obviamente, melhor que as outras alternativas. E para isso vigorar, o governo
precisa de intelectuais.
É inevitável que as massas não pensem por si mesma, mas sim,
seguem passivamente e adotam as ideias transmitidas pelos intelectuais. E por
isso os intelectuais são pessoas “formadoras de opiniões” da sociedade.
Portanto, a aliança entre intelectuais vendidos e o Estado é perfeita para a modelagem
desses indivíduos perante o Estado.
Muitos e variados foram os argumentos usados pelo Estado e
seus intelectuais para promover seu domínio. De forma sucinta, os argumentos
usados são de que os governantes estatais são homens bons e sábios e sabem o
que estão fazendo para o bem de todos. Outro mecanismo muito bem explorado foi
o de instaurar medo.
Os governantes atuais alegavam fornecer uma proteção contra
criminosos, pois, para o Estado de fato se manter, ele deve manter o monopólio
até da parasitagem. Não roube, o Estado odeia concorrência. Uma outra forma
também é a do patriotismo natural para o benefício somente do Estado. Se o
Brasil estivesse sendo atacado pela Argentina, a primeira função do Estado e
dos intelectuais seria dizer que o ataque é dirigido a massa, e não somente
pela casta dominante. Dessa forma, uma guerra entre governante viraria uma
guerra entre povos, em que dessa forma, a massa iria agir em defesa da falsa
crença de que o governo estaria “ajudando” os indivíduos.
Outra potente arma é a tradição, ora que quanto mais tempo o
domínio de um estado se mantém preservado, mais poderosa ela é, pois, dessa
forma, a Dinastia Y ou o Estado X mantém o seu peso da tradição de séculos como
sustento de sua própria existência. O maior perigo para a existência do Estado
é nada mais do que a crítica intelectual independente; não há forma melhor de
criticar do que se não ser um profano violador da “sabedoria” de seus
ancestrais. Na nossa atual época, o direito divino fora excedido por um novo
Deus, a Ciência. O governo estatal agora é proclamado como ultracientífico.
O governo estatal é agora proclamado como ultracientífico,
como constituído por um painel de especialistas. Mas mesmo com a “razão” sendo mais invocada
hoje do que em séculos passados, essa não é a verdadeira razão do indivíduo e
do exercício do seu livre arbítrio; é ainda a razão coletivista e determinista,
que implica sempre agregados holísticos e a manipulação coerciva de súditos
passivos feita pelos seus governantes.
O aumento do uso de dialetos científicos permitiu que os
intelectuais pudessem gozar de situações ridículas que o próprio Estado o faz.
Um assaltante que justificasse o seu roubo dizendo que na verdade ajudou as
vítimas, pois o gasto que fez com o dinheiro fez a economia estimular, teria
convencido pouca gente. Contudo, se o assaltante tivesse falado em teorias
keynesianas e referências do “efeito multiplicador”, ela infelizmente poderia
receber respeito. E é assim que se prossegue o ataque ao bom senso, porém, em
cada época é realizado de maneira diferente.
COMO O ESTADO TRANSCENDE SEUS LIMITES
Ao longo dos séculos, os homens foram formando conceitos e
estratégias com o intuito de diminuir o aparato estatal, contudo, o Estado
acaba recorrendo a seus aliados intelectuais, e, com isso, mostra-se capaz de
transformar cada um desses conceitos em carimbos de legitimidade. Antigamente,
na Europa Ocidental, o conceito de soberania divina afirmava que os reis podiam
governar de acordo com a lei divina. No entanto, os reis perverteram esse
conceito e o transformaram em algo legítimo e de aprovação divina qualquer ato
real.
De fato, a mais ambiciosa tentativa de “impedir” o Estado
foi pondo limites ao mesmo, como por exemplo na Carta dos Direitos, porém, o
Estado conseguiu a proeza de a transformar em “direito a um emprego”, a
estatizando e a suprimindo.
Contudo, essa ameaça é afastada pelo Estado por meio de
propagandas doutrinais e do aviso que uma agência terá a decisão final sobre a
constitucionalidade, e que esta agência, em últimos casos, terá de fazer a
parte do Estado.
Outro exemplo é a Constituição Americana que de certo modo
expressava um sentimento “liberal” na sua origem. Contudo, como dito pelo
Professor Charles Black, que notou um mecanismo limitador do Estado no início
desta constituição, mas conforme o poder do Estado aumentando, ela acabou sendo
ainda mais um instrumento que promove as inconstitucionalidades do Estado.
Black fala que em sua análise existe uma necessidade crucial
da “legitimidade” para que qualquer governo sobreviva. Porém, essa aceitação da
legitimidade se torna um problema bem incomum em um país como o Estados Unidos.
Charles então acrescenta dizendo que é preciso um meio pelo qual o governo não
irá expandir seus poderes com meios inconstitucionais. Como o próprio diz:
“A ameaça suprema [para o governo] é a ampla disseminação de
um sentimento de ultraje e desafeição entre a população, e a consequente perda
de autoridade moral por parte do governo, independentemente de quanto tempo ele
consiga mantê-la pela força ou pela inércia ou pela simples falta de uma
alternativa atraente e imediatamente disponível. Quase todas as pessoas que
vivem sob um governo com poderes limitados serão, cedo ou tarde, sujeitados a
alguma ação governamental que, em sua opinião, consideram estar além do poder
do governo ou mesmo totalmente proibida ao governo.
Um homem pode ser conscrito embora não encontre nada na
Constituição autorizando o recrutamento para o serviço militar obrigatório …. A
um agricultor é dito o quanto ele pode produzir de trigo; ele acredita, e
descobre que alguns advogados respeitáveis partilham dessa crença de que o
governo tem o direito tanto de lhe dizer o quanto de trigo ele pode produzir
como de lhe dizer com quem é que a sua filha se pode casar. Um homem vai para a
cadeia por dizer o que quer e entra em sua cela proferindo …. “o Congresso não passará
quaisquer leis que limitem a liberdade de expressão” ….
A um comerciante é dito o quanto pode cobrar, e quanto tem
de cobrar, por leite desnatado. Existe uma ameaça real que cada uma destas
pessoas (e quem não se encontra entre elas?) chegue a um momento em que irá
confrontar o conceito de limite do poder governamental com a realidade (tal
como a vê) da flagrante transgressão dos limites efetivos, e que tire a
conclusão óbvia acerca do status do governo em relação à legitimidade”.
“O problema, então, é criar meios de decisão governamental
que possam [esperamos] reduzir a um mínimo tolerável a intensidade da objeção
ao governo ser juiz de sua própria causa. Tendo feito isto, podemos apenas ter
a esperança de que esta objeção, embora ainda teoricamente sustentável, perca
força efetiva até o ponto em que o trabalho de legitimação das instituições de
decisão possa ganhar aceitação”.
O QUE O ESTADO TEME
O que o Estado teme, acima de tudo, claro, é qualquer ameaça
a sua existência e poder. A morte do Estado pode ocorrer de duas formas: A
primeira seria por conquista de outro Estado, e a segunda seria por meio de um
golpe revolucionário de seus súditos, isto é, por meio da guerra ou revolução.
Como já dito anteriormente, qualquer meio deve ser sempre usado para fazer as
pessoas entenderem que defender o estado é a mesma coisa que defender a si
mesmas. E essa fraude se torna auto evidente quando o processo de recrutamento
escravo é obrigatório, e aqueles que são contra ou se recusam a defender tal,
são forçados a defender, e isso inclui o uso da força contra o seu próprio
estado.
Podemos colocar em xeque a prova de que o Estado usa a força
e a “justiça” a sua causa e apenas a ela com uma questão: Qual categoria de
crimes que o estado persegue e pune mais intensamente — aqueles cometidos
contra ele mesmo ou contra seus cidadãos? No vocabulário do Estado, os crimes
mais graves são aqueles onde não há vítimas, isto é, não apresentam agressão a
propriedade privada, mas sim ataques contra o bem-estar do Estado. Exemplos que
podem ser citados são: sonegação de impostos, deserção de um soldado, fugir do
alistamento obrigatório, dentre outros.
COMO OS ESTADOS SE RELACIONAM ENTRE SI
Uma vez que a área territorial do nosso planeta se encontra
dividida entre diferentes Estados, as relações entre outros Estados é de suma
importância para a manutenção deste. Visto que o objetivo principal do mesmo
nada mais é do que expansão do poder, e, isso se dá através da conquista de
territórios, vemos que isso significa uma severa briga entre dois governantes
interessados apenas em seus poderes estatais. Apenas um deles irá conseguir
obter o monopólio da coerção sobre uma determinada área.
Contudo, o objetivo “agora” é nada mais do que o
desenvolvimento e preservação do comércio internacional. Isto se deve a destruição
e conflito entre dois países gera uma ruptura brusca na economia, e pode ser
algo irreversível, logo, limitar o seu impacto destrutivo sobre os países e
seus respectivos cidadãos pode ser algo não só bom, mas como economicamente
viável.
Quando os Estados não
estão em guerra, os acordos são necessários para manter uma desavença ao
mínimo. Esses acordos normalmente são feitos de forma nada genuína, ora que um
contrato transfere, de forma definida, títulos sobre a propriedade privada.
Uma vez que um governo não “é o proprietário”, em nenhum
sentido legítimo, da sua área territorial, nenhum acordo que ele possa fazer
irá conferir títulos de propriedade. Portanto, um governo definitivamente não
pode vincular, baseando-se em propriedades consideradas “inalienáveis”, um
governo seguinte por meio de um tratado.
A HISTÓRIA COMO UMA BATALHA ENTRE O PODER ESTATAL E O PODER SOCIAL
Assim como as duas relações humanas básicas e exclusivas são
a cooperação pacífica ou a coerção da exploração, a história da humanidade
também pode ser considerada uma luta por esses princípios. De um lado temos a
produtividade, trocas mútuas e voluntárias. De outro lado, a depredação das
relações sociais.
Albert Jay Nock denominou estas duas forças concorrentes com
os termos “poder social” e “poder estatal”. O poder social nada mais é do que o
poder do homem sobre a natureza, isso inclui sua transformação cooperativa dos
recursos naturais e compreensão racional das leis da natureza. Já o poder
estatal, como vimos, é a apropriação coerciva e parasítica desta produção, isto
é, uma drenagem da produção para uso próprio da casta dominante e que nada
produz.
Ao passo que o poder social é exercido sobre a natureza, o
poder estatal é o poder exercido sobre o homem. Ao longo da história, as forças
criativas e produtivas do homem têm, repetidamente, aberto caminho a novas
formas de transformar a natureza para seu benefício.
Isto ocorreu nos momentos em que o poder social conseguiu se
manter à frente do poder estatal, momentos em que a invasão do estado sobre a
sociedade foi consideravelmente diminuída. Porém, sem exceção, após intervalos
às vezes mais curtos, outras vezes mais longos, o estado sempre se move em
direção a essas novas áreas, para mais uma vez confiscar e debilitar o poder
social.
Se o período entre o século XVII e o século XIX foi, para
muitos dos países ocidentais, uma época de crescimento do poder social com um
consequente aumento da liberdade, da paz e do bem-estar material, o século XX
foi principalmente uma era em que o poder estatal foi recuperando o poder que
havia perdido — com uma consequente reversão rumo à escravidão, à guerra e à
destruição.
E mesmo com várias atitudes e posicionamentos sobre o assunto
ao longo dos séculos, nenhum conseguiu manter o Estado sob controle. O problema
do Estado evidentemente nunca esteve tão longe de ser resolvido como está
atualmente. Talvez novos caminhos devam ser explorados em busca de soluções se
realmente quisermos algum dia resolver de uma vez por todas a questão do
estado.
FONTE: Universidade Libertária
quinta-feira, 22 de outubro de 2020
Maquiavel e os bajuladores na política
Nicolau Maquiavel, em sua obra clássica da Ciência Política, "O Príncipe", diz que o governante de um principado (nossas atuais cidadezinhas de interior), deve ter como mandamentos os seguintes: não esmagar os menos poderosos, não aumentar o poder de um Estado já poderoso, não trarás estrangeiro (ou líder externo) de grande poder para habitar o teu território, deverás habitar no território conquistado, e estabelecerá colônias.
Mas trazendo para a realidade brasileira e de cidade pequena, o que se percebe sobre as atitudes de líderes locais vai totalmente contra o que o notável filósofo italiano explica para a manutenção do Poder. Eles permitem que os seus correligionários mais influentes, conhecidos como "babões", pratiquem as retaliações para perseguir os que ousarem criticar o Governo ou para quem não for subordinado a ele, sendo os perseguidos geralmente pessoas menos favorecidas.
Segundo Maquiavel, a forma mais ideal de dominação de uma cidade é arruiná-la ou nela habitar, e nisso os chefes políticos dos pequenos municípios pelo interior do Brasil o fazem muito bem, bloqueando a geração de empregos, deixando toda a influência financeira por cargo da Prefeitura, assim como permanecem sempre presentes na cidade em que comandam as ações. O pensador, porém, adverte que o "Príncipe" não pode ser maniqueísta com seus colonizados, e sempre saber que um deles pode ir para o seu lado e que uns podem voltar-se contra ele.
Justamente por situações como essas, que Maquiavel afirma que os governantes precisam de conselheiros, escolhendo para seu governo apenas homens sábios, e unicamente a eles dar plenos poderes para lhe dizer a verdade. Eles devem ser autorizados a falar exclusivamente sobre o que lhes for perguntado, e nada mais. Pergunta-se: e o babão, como fica? Não se enquadra, pois este permanece na penumbra de implorar por favores para garantir sua subsistência.
No capítulo XXIII da obra, o autor ensina ao Príncipe como evitar os aduladores, e os conceitua de forma categórica:
"Os homens apreciam tanto a si mesmos e aos seus atos, que acabam se iludindo a tal ponto que os bajuladores passam a fazer parte de sua vida. Todos veem o que tu aparentas, poucos sentem aquilo que tu és, e esses poucos não se atrevem a contrariar a opinião dos muitos". (MAQUIAVEL, 1532)
Em comentários de rodapés, em edição posterior da obra O Príncipe, o grande imperador Napoleão Bonaparte afirmava sobre os bajuladores, que estes “são úteis, uma vez que todo príncipe precisa de estímulos, mas não deve deixar-se envolver por eles”.
Os líderes políticos erram também ao arruinar financeiramente a vida de alguém, conforme a filosofia maquiavélica, onde o pensador de Florença é categórico: "Os homens esquecem mais rapidamente a morte do pai do que a perda do patrimônio. E engana-se o Príncipe, cometendo um grande erro, acreditando que as altas personalidades seja possível esquecer antigas ofensas com novos benefícios". Talvez isso funcione com "babão", desde que o líder do Principado não dê Poder demais para ele.
OBRIGADO PELA CONFIANÇA EM NOSSO TRABALHO!
MONTEIRO SETÚBAL ADVOCACIA
ADVOGADOS: Dr. Paulo Monteiro Jr. - OAB/CE Nº 46.849 | Dr. Danilo Setúbal - OAB/CE Nº 29.024



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